terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Discipulado Segundo Jesus


DISCIPULADO[1]

“Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Lucas 6.46). Assim falou Aquele que os cristãos chamam de Mestre.

Não é raro ouvirmos que Cristo é o Senhor de toda a vida e que, como cristãos, devemos reconhecer este fato. Aqueles, porém, que compreendem o que realmente significa o senhorio de Cristo lutam em duas frentes de batalha.

Uma batalha é contra o mundo, que tenta empurrar o cristão para uma posição secundária. Diz que os crentes têm que praticar sua religião sem prejudicar ninguém, mas que não devem pensar em trazer o cristianismo para o mundo real da política, economia, das leis e “liberdades” individuais. Devemos resistir a isto. Temos de declarar que “ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam”. (Salmos 24.1). Devemos mostrar que “toda autoridade, no céu e na terra” foi atribuída a Jesus, e explicar o que isto significa.

Outra frente de batalha é igualmente desafiadora. É a batalha contra os cristãos bem intencionados, embora equivocados, que acredita ser possível ter Jesus como Salvador sem tê-lo com Senhor. Devemos rejeitar esta ideia. Qualquer que crê em um Cristo Salvador que não é Senhor, na verdade nunca foi regenerado.

ELEMENTOS DO DISCIPULADO.

1. OBEDIÊNCIA: Este é um conceito impopular hoje em dia. A palavra “segue-me”, naturalmente a encaramos como um convite de Jesus, pode ser que haja realmente um elemento de convite no chamado de Cristo aos pecadores, mas a palavra “segue-me” está no imperativo, sendo, portanto, uma ordem expressa, razão pela qual aqueles que receberam a ordem de seguir a Jesus obedeceram imediatamente, deixando as redes, barcos, postos de arrecadação ou qualquer que fosse sua ocupação no momento. O “segue-me” de Jesus é tão irresistível quando a ordem dada a Lázaro: “Vem pra fora!” (Jo 11.43). Sem obediência, não há Cristianismo verdadeiro. As pessoas não podem “seguir” a Jesus de maneira superficial e depois quando as exigências do evangelho ficam mais prementes. O jovem rico é um exemplo dessa triste realidade. No entanto, isto não acontece com uma ovelha do rebanho de Cristo, que ouve seu chamado desde o inicio e entram em uma vida caracterizada pela obediência.

2. ARREPENDIMENTO: A palavra hebraica para arrependimento quer dizer conversão; a dos gregos significa mudança de conselho ou propósito e de vontade, em suma, arrependimento significa que nos retiramos de nós mesmos e nos convertemos a Deus, e, tendo abandonado a nossa primeira forma de pensar e de que querer assumimos uma nova.

Podemos defini-lo apropriadamente desta maneira:

O arrependimento é uma verdadeira conversão da nossa vida para servir a Deus e para seguir o caminho por ele indicado. Procede de um legítimo temor de Deus, não fingido, e consiste na mortificação da nossa carne e do nosso velho homem, e na vivificação do Espírito Santo de Deus.

Nesse sentido, devem ser tomadas todas as exortações dos profetas e dos apóstolos, pela quais eles admoestavam os homens do seu tempo estimulando-os ao arrependimento. Porque desejavam levá-los ao ponto em que, estando confusos e envergonhados de seus pecados, e aflitos pelo temor do juízo de Deus, se humilhassem e se prostrassem diante da majestade divina por eles ofendida, e adentrassem o reto caminho. Portanto, quando eles falam em que o pecador deve converter-se e voltar ao Senhor, arrepender-se e comprovar na prática o seu arrependimento, eles sempre tendem para em mesmo fim. O apóstolo Paulo e João batista dizem que é preciso produzir frutos dignos de arrependimento, entendendo que o pecador arrependido deve levar uma vida que mostre e testifique, em todas as suas ações, a pretendida mudança.


3. Submissão: Num dos mais importantes discursos do Senhor Jesus sobre discipulado ele ilustra como colocar uma cangalha. Esta figura sugere muitas coisas, mas a ideia principal é a submissão a Cristo na obra para a qual fomos comissionados. Jugo, ou cangalha, é uma trave de madeira que se coloca sobre o pescoço dos bois para puxar o carro ou o arado e, figuradamente, significa domínio, submissão.

Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto, que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Ou que união, do crente com o incrédulo?” 2 Co 6.14-15

Esse texto refere-se a metáfora de bois que têm de andar uma grande distância juntos, expostos as mesmas regras, carregando o mesmo fardo, porque estão PRESOS na mesma cangalha. A ideia é que esses dois animais, por serem diferentes em muitos aspectos, estão compartilhando PESOS e PRESSÕES desiguais.

Jugo desigual com os incrédulos,é nada menos que “manter comunhão com as obras infrutíferas das trevas e estender-lhes a destra de companhia”.

Isto NÃO quer dizer que os cristãos não podem manter vínculos de amizade com descrentes. O próprio Jesus afirmou que veio para os doentes, para os pecadores, e andava cercado deles. Contudo, os crentes não devem ter comunhão com SUAS OBRAS,deixar-se ser influenciado pelas trevas do mundo (Efésios 5.11) e nem se colocar em jugo desigual, vivendo o mesmo tipo de vida que seus amigos levam.

O que faz nosso jugo desigual com os incrédulos são os princípios cristãos, reformulados por Deus em nosso interior, que regem as nossas vidas. Somos direcionados por conceitos e orientações (não simplesmente leis) que nos protegem e nos levam a uma vida segura em todos os aspectos (emocional, físico e, sobretudo, espiritual). Os descrentes, em geral, são direcionados por princípios muito diferentes dos nossos, em todas essas áreas, e crêem que eles estão no rumo certo.

Quanto maior o nível de intimidade em um relacionamento de amizade, maior o número de princípios expostos ao perigo. São os nossos amigos mais próximos os responsáveis pelas transformações no nosso comportamento. É natural que absorvamos partes do comportamento de outras pessoas com as quais convivemos o tempo inteiro:

  • Absorvemos as gírias, o jeito de falar, de gesticular.
  • Absorvemos o jeito de vestir , de pensar.
  • Absorvemos as ambições e os desejos de “status”.

Somos influenciados na mesma proporção em que pensamos estar influenciando.

Paremos para avaliar o quanto fomos influenciados no ÚLTIMO ano:

  • Que gírias novas você começou a usar?
  • Que roupas novas você comprou por ver seus amigos usando iguais?
  • Quantos lugares você quis ir porque a “galera” estaria lá?
  • Quantas festas você quis participar porque todo mundo estava sendo convidado ou planejando ir junto?

Paremos para avaliar o quanto nós influenciamos nossos amigos no ÚLTIMO ano:

  • Quantos amigos começaram a ler a Bíblia por perceberem a importância que ela tem na sua vida?
  • Quantos amigos começaram a falar com Deus (orar) por ver o quanto isso faz diferença na sua vida?
  • Quantos amigos vieram te procurar em momentos difíceis por saber que você é cristão e que sempre tem uma palavra de incentivo e encorajamento?
  • Quantas vezes seus amigos pediram que você orasse por eles?
  • Quantos amigos perguntaram como poderiam ter um relacionamento pessoal com Deus, assim como você tem?

Depois de avaliar esses pontos, o que vocês podem dizer sobre o nível de influência presente nas amizades de vocês? Quem está influenciando mais quem afinal?

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que antes não éreis povo, mas, agora,sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia. 2 Pe 2.9-10

Quando esquecemos quem somos e quem já fomos, tornamo-nos facilmente influenciados. Nós somos NAÇÃO SANTA, RAÇA ELEITA, POVO DE PROPRIEDADE EXCLUSIVA DE DEUS, com um chamado específico de PROCLAMAR AS VIRTUDES DAQUELE QUE NOS CHAMOU. E ainda assim, queremos nos igualar aos que não conhecem a Deus, que são guiados pelo príncipe desse século, pelas leis que regem o complexo compulsivo do mundo.

Em resumo, não é pecado relacionar-se com descrentes, pelo contrário é seguir o exemplo supremo de Cristo de chamar pecadores ao arrependimento. Mas, devemos ter muita cautela à medida que nos aprofundamos nesses relacionamentos e, principalmente, quando percebermos que existem outras motivações além de “buscar e salvar o perdido”, porque nossas barreiras, naturalmente, diminuem nos expondo a todo tipo de influência que a pessoa pode exercer sobre nossas vidas. Assim, poderemos acabar sendo mais influenciados do que influenciando eles.



[1] Estudos baseados no livro: O Discipulado Segundo Jesus: o que significa viver tendo Cristo como Salvador e como Senhor? De James Montgomery Boice.

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