terça-feira, 1 de setembro de 2009

O NUMINOSO DE OTTO



O NUMINOSO

Ananias Oliveira

Iracildo Pereira Castro

Paulo Nazaré Júnior

INTRODUÇÃO.

A experiência do sagrado, enquanto expressão do sentimento não-racional é um fenômeno essencialmente místico e eminentemente religioso. Rudolf Otto (1869-1937), Teólogo alemão e Historiador das Religiões, dedicou diversos anos de sua vida ao estudo da experiência do homem com o sagrado. Em contraste com a imagem racional que o Iluminismo fez de Deus, Otto ressaltou o elemento irracional, aterrador e fascinante desta experiência, que “arrebata e comove a alma”. Usou suas idéias, portanto. Para falar do “totalmente outro”, um fenômeno sui generis, ontologicamente independente e autônomo que ele denominou de Numinoso.

A crítica de Otto aos racionalistas cristãos se fundamentava na possibilidade dos predicados racionais esgotarem a essência da divindade que, por sua vez, manifesta-se não apenas na intelecção do Sagrado, mas tão somente na experiência de êxtase da vida religiosa[1]. Neste sentido, diferente do racionalismo, a preocupação de Otto centrava-se não na pergunta “quem é Deus?”, mas em “como experimentar Deus”.

Esse deslocamento da experiência do sagrado do plano racional para o irracional tornou-se mundialmente conhecido, por meio do seu livro das Heilige – O SAGRADO, publicado em 1917. Mircea Eliade, comentando sobre a repercussão desse livro, declarou o seguinte:

Seu sucesso deu-se, sem dúvidas, à novidade e à originalidade da linha de pesquisa adotada pelo autor. Em vez de estudar as ideias de Deus e da Religião, Otto aplicara-se na análise das modalidades da experiência religiosa. Dotado de grande refinamento psicológico e fortalecido por uma dupla preparação de Teólogo e Historiador das Religiões, Otto conseguiu esclarecer o conteúdo dessa experiência.[2]

Passados quase um século de análise da obra de Otto, as sua ideias continuam vivas no pensamento e experiência religiosa da humanidade. O que existe de “mágico” no numinoso de Otto, que o torna referencial para o estudo das religiões comparadas? Bem, é isso que tentaremos descobrir, nessa breve reflexão! Não seria, entretanto, um risco partirmos da afirmação que o empenho de Otto em o Sagrado é colocar as Ciências da Religião e a Teologia Cristã num plano de reciprocidade.

De início, deixamos claro que, limitaremos nossa abordagem nos seguintes tópicos: no conceito de Numinoso; aos meios de expressão do numinoso e ao numinoso na Bíblia. Ao final tentaremos uma apreciação crítica a partir dos tópicos analisados, à maneira de conclusão.

O NUMINOSO EM RULDOLF OTTO

Para compreendermos o sentido de Numinoso em Otto, é mister, antes de tudo, entendermos e diferenciarmos os predicados racionais e não-racionais da experiência do Sagrado e como esses elementos se relacionam e se opõem. Para explicar a diferença e relação entre esses predicados, Otto parte da proposição que sustenta que “toda concepção teísta, e de maneira especial a concepção cristã de Deus, tem como característica a compreensão clara da divindade e sua definição através de predicados racionais” [3]. Essa é uma afirmação reducionista, uma vez que se admita que o aspecto racional esteja presente no divino, não podemos pensar que esses predicados que nós indicamos, e outros mais, esgotariam a essência da divindade. Se assim o fosse, os sentimentos, os milagres, os símbolos (predicados não-racionais) não teriam lugar na experiência religiosa. Além do mais, uma religião em que tudo se explica não pode subsistir. Portanto, “o nome (conceitos, predicados e noções) é nada e o sentimento é tudo” [4]

Ainda que, na análise dos predicados, Otto deixe subentendido que os sentimentos são os elementos a priori da experiência do sagrado, que por sua vez, sobrepujam as noções, não conseguimos manter viva essa experiência religiosa, e a ideia racionalista de Deus acabou prevalecendo.

Essa tendência não apenas governa a Teologia, mas também, os estudos de religião nos quais ela penetrou profundamente. Ele domina nossos estudos dos mitos; a pesquisa das religiões chamadas primitivas; as tentativas de reconstruir as origens e de descobrir as fontes de religião.[5]

Foi essa predominância dos predicados racionais sobre os não racionais na experiência do sagrado que levou Otto a definir, de modo bem particular, a ideia de Deus. Senão vejamos:

O termo Numinoso, que Otto usa para expressar a ideia do “Totalmente Outro”, é cunhado em contraposioção ao termo Sagrado. A razão disso consiste no fato de que, em sua opinião, Sagrado ou Santo “é o resultado final de esquematização gradual e da saturação ética do sentimento original e específico” [6]. Em outras palavras, Otto quer que entendamos que na origem primitiva do termo, não existia uma carga de conotações éticas ou morais. Por exemplo, a palavra qadosh, traduzida do hebraico para santo, poderia simplesmente significar bom. O nome “sagrado” é usado em seu sentido figurado, como um “predicado de ordem ética, sinônimo do absolutamente moral e perfeitamente bom”, porém, em tais expressões, falta ao Sagrado o seu exato sentido. Otto se refere ao elemento especial do sagrado, que não é definível em sentido rigoroso, mas que é pressentido, ao qual ele propôs chamar de numinoso.

A partir daí, ele desenvolve o conceito de numinoso, derivando-o de numen, como uma categoria especial de interpretação, neutra à ordem moral ética. “Um estado de alma que se manifesta quando essa categoria é aplicada, cada vez que um objeto é concebido como numinoso, o qual não se pode definir, apenas chama atenção para a experiência religiosa” [7]. Dessa forma, o numinoso está no reconhecimento pessoal do momento em que esse sentimento profundo de emoção religiosa surge. Esse sentimento é diferente da exaltação moral, que nos conduz á busca de boa ação, de gratidão, amor, segurança, submissão, resignação e, até mesmo, o estético, uma vez que esses sentimentos independem da experiência do Sagrado e, por isso, não esgotam a piedade e não exprimem as características daquilo que é solene.

OS MEIOS DE EXPRESSÃO DO NUMINOSO

Nesse ponto, Otto começa perguntando-se como o numinoso se exprime e se manifesta como ele se propaga e se transmite de alma a alma. É importante lembrar que o fato de não podermos definir nem explicar a experiência do Sagrado, mas apenas sentir, não significa que ele escape completamente da nossa compreensão. No pensamento de Otto, irracional não é sinônimo de alienação e nem se opõe à razão, porém, vai além dela, é supra-razão. Segundo Otto, esses predicados irracionais da experiência religiosa devem ser de alguma maneira compreensível, senão nada se poderia dizer a respeito deles. Da mesma forma, como é o caso do misticismo, estaria reduzido ao silêncio enquanto que em geral ele é muito falante.[8] Neste sentido, por mais paradoxal que pareça, o não-racional pode tornar-se racional. Para Otto portanto, o numinoso tem meios diretos e indiretos de expressão que despertam no sentimento religioso. Dentro Desses meios, o sentimento de myterium tremendum, o mistério que faz tremer, o mirum ou os milagres, são comuns na maioria das religiões.

  • OS MEIOS DIRETOS

Como sentimento de categoria a priori, o numinoso surge da fonte de conhecimento mais profunda que existe na alma, não independe de certos dados exteriores, nem anteriores a certas experiências sensíveis, mas nelas e entre elas. Ele não nasce delas, mas aparece graças a elas. Elas são os objetos excitativos e as causas ocasionais, graças às quais ele se manifesta inicialmente até o seu desprendimento por meio de uma purificação gradual, que termina por opor-se a ele.[9]

Otto entende que esse conhecimento, fruto da experiência, é um “a priori Místico no espírito do homem” (p.104). Todos os seres humanos possuem uma faculdade pneumática que os conduzem ao numinoso.

Agostinho de Hipona diz: “Fizeste-nos para ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração até que ache quietação em ti.” [10]

Segundo Otto, o sentimento do numinoso não se transmite no sentido próprio do termo; ele só pode ser despertado, provocado, excitado ou despertado no espírito. Ele não é provocado só com o uso das palavras, mas se dá pela simpatia, pela participação sentimental, tal quando se transmitem os estados de espírito e os sentimentos.

Para ele, a palavra é ineficaz se o “espírito” (esse estado de carisma, participação sentimental) não a antecede. O meio de expressão do numinoso é aqui, o próprio espírito. “Onde existe o espírito, é suficiente apenas um estilo, uma excitação externa. Por pequeno e confuso que seja, o estimulo é o bastante para colocar o espírito em ação.” [11] Onde o espírito se encontra as expressões racionais são como que reforçadas e tornam-se eficazes. Aquele que atua em espírito, mesmo que não consiga exprimi-lo em palavras e que seja incapaz de analisar seu próprio sentimento, vive no numinoso, uma vez que o espírito é seu meio de expressão direto.

A pregação oral (carregada de espírito), todavia, é capaz de despertar, mesmo com uso de expressões racionais de que se serve o discurso, o sentimento do numinoso. A palavra é o estímulo direto que coloca em ação para provocar uma poderosa animação mais atuante.[12]

O sentimento Numinoso é o estatuto ontológico. O sagrado aparece-nos antes do ético e para além do racional, definindo a essência como Numinoso.

· OS MEIOS INDIRETOS

São os meios que servem para exprimir os sentimentos que, no domínio natural, são aparentados ou se parecem com o sentimento numinoso. Dentre estes meios, o mais primitivo é o temeroso, o terrível, o horrendo, o repugnante. O sentimento do tremendum é aquele temor pleno de um horror interno que não é criado por uma causa externa, é despertado internamente, não é um temor natural e ordinário, “mas é um vago pressentimento do mistério sobre a forma rudimentar do sinistro”.[13] Otto explica isto afirmando que “as velhas imagens bizantinas de Virgem, duras, rígidas e apavorantes, inspiram mais vocação a muitos católicos que as graciosas madonas de Rafael.”[14] Esse sentimento tem uma analogia com o tremendum, e os seus meios de expressão se tornar, indiretamente, manifestações do terror religioso inexprimível diretamente. Otto identifica no terror demoníaco um grau preliminar da religiosidade, que pouco a pouco será substituído na História da Religião pelo sentimento de sublimidade. Em outro nível do tremendum, encontra-se o sentimento de grandiosidade ou sublimidade, em que o sentimento de terror pouco a pouco desaparece, e dá-se, então a associação do numinoso ao sublime.

O segundo elemento é o mirum, que é uma abstração feita do tremendum. Seria aqui o secreto, algo que nos e estranho, incompreensível, inefável, o qualitativamente diferente. O objeto do mirum é incompreensível não só porque o conhecimento dele é limitado, mas porque os limites do individuo chocam-se com este “Totalmente Outro”, com uma realidade incompreensível e diante da qual aquele manifesta o seu estupor.

Outro elemento de atração que tem com o hysterium, uma vez que, não é compreendido, manifesta-se nas línguas sagradas. Temos como aleluia, kyrie eleison, selá e os mantras, o Latim, o Hebraico e o Sânscrito, exalam impressões que marcam no espírito o sentimento religioso e despertam o numinoso.

· MEIO DE EXPRESSÃO DO NUMINOSO NA ARTE

No domínio artístico é o sublime que representa o numinoso com mais rigor. Quando se fala em edifícios, símbolos, emblemas e outros, fala-se sobre “impressões de verdadeiras mágicas”. A arte encontra meios de produzir, independente de qualquer reflexão, uma expressão mágica. Por exemplo, certas representações religiosas (como a figura do Buda) são capazes de despertar o sentimento religioso, mesmo naqueles que nada sabem sobre ele. São meios indiretos que a arte usa para representar o numinoso ou para representar esse status mágico. Todos reservam em suas apresentações elementos carregados de um efeito “mágico que causam no espírito uma espécie de contemplação.

O NUMINOSO NA BÍBLIA.

Já que os predicados não-racionais, que caracterizam a experiência do Sagrado e do numinoso, aparecem em todas as religiões, escolhemos verificar como Otto os identifica nas religiões da Bíblia. Nesse ponto, a análise destina-se àquelas que tomam o Antigo e Novo Testamento como registros de testemunhos da atuação do Sagrado.

· O NUMINOSO NO ANTIGO TESTAMENTO

Quando o assunto em pauta trata da experiência do Sagrado, temos que reconhecer que a religião semita está bem representada. Nela, “o misterioso penetra e anima vigorosamente as idéias dos demônios e dos anjos que representam o qualitativamente diferente que envolve o nosso mundo, domina-o e impregna-o”[15]. Essa força que faz sentir, que se opõe à ordem natural das coisas, tem sua marca impressa na natureza de Yahweh ou de Elohim.

Em um estágio ainda não evoluído do numinoso, as suas manifestações causam espanto e terror. Vez ou outra é possível encontrá-lo cheio de cólera, tentando contra a vida dos seres humanos (Êxodo. 4.24). Esse tipo de manifestação pode ser interpretado como uma ação demoníaca, uma forma inferior, não desenvolvida e latente do numen, da qual surgirá gradativamente, uma manifestação superior, o “deus”. [16]

Essa interpretação, porém, deve ser aceita com prudência, uma vez que pode conduzir a conclusões erradas, confundir os graus inferiores e superiores da evolução, e reduzir as suas diferenças, mas a exclusão absoluta desta afirmativa é ainda mais perigosa, e infelizmente, tem sido feita com freqüência.[17]

Com o tempo essa experiência do Sagrado, que para alguns se encontra apenas no período da pré-religião, dá lugar para a moralização e racionalização do numinoso. Nesse sentido, o numinoso torna-se o Sagrado, no sentido pleno da palavra. No entanto, Otto afirma: “esta racionalização ou moralização não é a eliminação do numinoso, mas coloca ponto final na sua predominância exclusiva, tendo-o apenas como pano de fundo.” [18]O sentimento que acompanha a vocação de Isaias (6.1ss) é um bom exemplo. Ele manifesta o seu vigor por meio da pregação do profeta: “O Santo de Israel”.

No encontro de Jó com Elohim, o elemento do mirun aparece na sua forma mais pura e singular (Jó 38-42). Jó aposta contra Elohim na presença de seus amigos que se reduzem ao silêncio. Neste momento, aparece Elohim para defender sua própria causa, e ele a defende de tal maneira que Jó se reconhece vencido, realmente e não constrangido ao silêncio por uma força superior. Na sua confissão (“Eu me retrato e me arrependo no pó”), observamos o testemunho de um homem que se sentiu vencido e não uma confissão de impotência, de esmagamento, de renúncia diante de forças superiores. Ele não procura mais se justificar diante de Deus, mas acalmar a sua alma oprimida pela dúvida. Na experiência que a revelação de Elohim provoca em Jó, existe uma libertação interior da angústia.

· O NUMINOSO NO NOVO TESTAMENTO

Se o processo de racionalização ou moralização do Sagrado já era possível no Antigo Testamento, no Novo Testamento a ideia de Deus se humaniza: “O Logos se fez carne e habitou entre os homens” (João 1.1-12), mas não podemos pensar, em hipótese alguma, que esta humanização é, necessariamente, uma eliminação do numinoso. A própria pregação de Jesus pretendia ser “o anúncio do objeto mais numinoso que se pode pensar: o Evangelho do Reino.” [19] Como demonstram os estudos mais recentes, em oposição aos postulados racionalistas, o Reino é a maravilha no sentido absoluto; ele se opõe a tudo que existe hoje, ele é qualitativamente diferente, celeste, cercado de todos os motivos mais autênticos do terror religioso; ele é terrível, augustum, como o mistério mesmo.

O caráter escatológico do Reino de Deus, este temor profundo da espera ansiosa do fim do mundo, do julgamento, da aparição do mundo celeste e da felicidade da esperança do natal, da mistura do tremendum, do fascinante e do misterium confere à pregação de Jesus o sentido de numinoso.

Para Paulo, o Apóstolo “Deus habita numa luz inacessível.” Isso expressa a atmosfera numinosa que se move no pensamento do Apóstolo. A transcendência da noção do sentimento de Deus leva o Apóstolo a empregar expressões e a fazer experiências que são próprias do misticismo.[20] Segundo Otto, essa transcendência aparece, de uma maneira geral, para ele, num sentimento de exaltação entusiasta e em suas expressões inspiradas que vão além dos limites racionais da piedade cristã, dessas catástrofes e peripécias da vida sentimental, desse caráter trágico do pecado e da falta, dessa flama de vida bem-aventurada, só são possíveis e compreensíveis a partir do numinoso.

Por fim, Otto observa que o conceito de predestinação e a ideia de eleição são dados imediatos e expressões puras da experiência religiosa na graça. Aqui, o homem não é livre para decidir o seu destino. Ambas, do ponto de vista racionalista, são um absurdo e um escândalo, por escapar do seu sentimento imediatista. Contudo, conclui Otto, o homem, objeto da graça, se sente melhor quando reconhece que foi o numinoso que o conduziu a tal.

APRECIAÇÕES CRÍTICAS À MANEIRA DE CONCLUSÃO

Dessa breve exposição sobre a experiência do Sagrado em Rudolf Otto, apresentamos alguns destaques:

· A CONTRIBUIÇÃO DE OTTO PARA A ANTROPOLOGIA, CIÊNCIAS DA RELIGIÃO ETC.: Otto contribuiu para a concepção presente na Antropologia e nas Ciências da Religião a de não tentarmos dissecar a fenômeno religioso no sentido de explicar racionalmente e sistematicamente as manifestações do Sagrado, e analisá-las sobre o prisma da realidade ou da distorção do real. Visto que sabemos, graças a seu trabalho, que o Sagrado é indescritível e/ou inexplicável, a Antropologia parte diretamente para a análise do fenômeno nas suas reações sociais. Com isso, derrubou-se em parte uma barreira do ceticismo que desacreditava completamente da Religião, a ponto de descrevê-la como devaneio ou uma neurose puramente humana e, portanto, explicável. Se a religião fosse totalmente desacreditada, desapareceria o objeto de estudo da Antropologia e das Ciências da Religião, etc. O legado de Otto corrobora para a visão de que o homem é um ser biopsicossocioespiritual.

· O TEXTO DE OTTO ESCRITO EM 1917 JÁ APONTAVA PARA UMA TEMÁTICA HOJE BASTANTE PRESENTE: O RETORNO DO SAGRADO (SE É QUE ESTEVE AUSENTE) OU RESSACRALIZAÇÃO DO MUNDO: Segundo Max Weber, a religião, sobretudo o Cristianismo, já carregava em si o germe de seu próprio desaparecimento, a secularização. As experiências eram de que a razão desse conta de explicar todas as instâncias sociais e humanas e, pouco a pouco, as concepções religiosas, tão presentes na Idade Média, desapareceriam, mas isso não aconteceu. A ciência não foi capaz de explicar tudo, e o Sagrado persistiu, uma vez que o sagrado, como aponta Otto, escapa aos postulados da razão. Por isso, Otto já em seu tempo era um tipo de profeta, por explicar que o fenômeno do Sagrado não poderia ser racionalizado e, portanto, nunca deixaria de estar presente na sociedade.

· CONTRIBUIÇÃO PARA O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO: Otto analisa as diversas religiões históricas levando em conta dois elementos fundamentais: a transcendência de Deus (Deus é em si mesmo, ainda uma coisa para si) e a presença de Deus reconhecida como a priori religioso. A relação entre os dois elementos provoca a revelação dos sentimentos descritos em seu livro que permite captar a essência da religião.

Por outro lado, Otto se esqueceu de frisar que na experiência religiosa deve haver uma interação, na qual o divino e o humano agem e reagem. Essa exaltação dos sentimentos na experiência religiosa, fora do contexto em que estava inserido, pode ser levado ao extremo. Entretanto, não entendemos que seria essa a proposta de Otto, no seu estudo sobre o elemento não racional na ideia do divino.



[1] Ananias Oliveira: Teólogo, Mestre em Teologia; Iracildo Castro: Psicólogo e Teólogo, Mestre em Educação e Teologia; Paulo Nazaré Júnior.: Teólogo, Bacharel em Teologia.

[2] ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano: a essência das religiões. Trad. Rogério Fernandes: São Paulo: Martins pontes, 2001.p.15.

[3] OTTO, Rudolf. Op.cit.p.7

[4] Essa frase de Goethe, segundo Otto, não se aplica ao Cristianismo. Ibidem. p.6

[5] Ibidem, p. 9

[6] Ibidem, p. 12

[7] Ibidem, p. 12

[8] Ibidem, p. 8

[9] Ibidem, p. 112

[10] AGOSTINHO, Santo. Confissões. (Confessionum). São Paulo: Nova Cultural IV edição, 1987,324p.

[11] Ibidem. p.16

[12] Ibidem. p.66

[13] Ibidem. p.19

[14] Ibidem. p.67

[15] Ibidem. p.75

[16] Ibidem. p.76

[17] Ibidem. p.77

[18] Ibidem. p.78

[19] Ibidem. p.83

[20] Ibide

m. p.86


5 comentários:

  1. ESSA AULA FOI MUITO BOA PROF. QUANDO VAI ROLAR OUTRA.

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  2. Que bênção meu filho ministrando aula na UEPA. PSICOLOGIA E RELIGIOSIDADE.
    TEM FUTURO.

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  3. cara absurdamenten perfeito

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Bom dia Pr. Paulo e leitores.
    Agradeço pela disponibilização de texto tão bem escrito e detalhado sobre Otto e o numinoso. Sou aluno do I sem. de Teologia e essa dissertação foi muito proveitosa e esclarecedora para uma tarefa que estou realizando.
    Grato e parabéns.

    Wilson Lara Jr.

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